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Miguel Gustavo – O Conto do Pintor

“Indicação” nº 28 do dia:

O Conto do Pintor

Desembarquei fantasiado de pintor
No aeroporto já encontrei o Ibrahim
Fez um discurso e apresentou-me ao Santos Vahlis
Que deu de cara um apartamento para mim.

(breque) “Morengueira vai levar um duplex.”
“É o seguinte, eu não mereço tanto, é muita gentileza de sua parte.”

Fomos direto ao museu de Arte Moderna
A grande obra de Madame Guiomar
Condecorando-me com a Ordem do Vaqueiro
Chateaubriand quase chegou a me estranhar.

(breque) “Seu embaixador, deixa isso pra lá, vossa excelência que é o admirador e o protetor das artes no Brasil. Ora!…”

Mas ali mesmo demonstrei o meu talento
Pintei triângulos redondos e um quadrado todo oval
Todos olhavam perturbados e diziam:
“Esse Moreira é um artista genial!”

Mais que depressa eu vendi noventa quadros
Depois de dar uns dois ou três em benefício
Entrevistado pelo Rubens do Amaral
Eu respondi: “Ora, qual nada, é meu ofício.”

Pintei vassouras com feitio de espadas
Pintei espadas qual vassouras, retirei-me do local
Mas a ilustríssima platéia delirava:
“Esse Moreira é um artista genial!”

Pintei um quadro só por fora das molduras
Eu joguei tinta nas paredes, todo mundo achou legal
Dei cambalhotas e as madames exclamaram:
“Esse Moreira é um artista genial!”

(breque) E eu que não pintava nem nos muros da Central

Mais que depressa eu vendi noventa quadros
Depois de dar uns dois ou três em benefício
Entrevistado pelo Rubens do Amaral
Eu respondi: “Ora, qual nada, é meu ofício.”

Pintei vassouras com feitio de espadas
Pintei espadas qual vassouras, retirei-me do local
Mas a ilustríssima platéia delirava:
“Esse Moreira é um artista genial!”

(breque) Fui a Brasília dei um quadro ao maioral
Era um triângulo redondo, mas Nonô achou legal.

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Autor:

Influenciadora Digital,amante de música boa.Mulher com deficiência física que não se limita.

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